“Regulação do uso de smartphones nas escolas deve abranger todos”: pais, alunos e professores
A Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) defende que "a regulação do uso de smartphones [nas escolas] deve abranger todos os agentes da comunidade escolar”, incluindo alunos, professores, assistentes operacionais e encarregados de educação, “de forma a promover o exemplo e a responsabilidade colectiva”.
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é que não contribuem um átomo para melhorar a educação dos filhos que são os alunos. O seu primeiro impulso é sempre, 'como vamos aproveitar isto para controlar professores?'
Claro que nos espaços em que os professores estão com os alunos, em trabalho, se não é para se usar telemóvel, ninguém usa, seja na sala de aula, na sala de estudo, na biblioteca, etc.
Agora, os professores (e os outros funcionários) não são crianças ou adolescentes. Faz parte do trabalho do professor falar com pais, com empresas, se está a planear uma visita de estudo, com organismos oficiais se está a preparar actividades, às vezes com colegas que não estão na escola e estão na posse de uma informação e mil outras coisas. Quantos telefones tem a escola para todos? Um telefone. Até para trabalhar na DT, que só tem 4 computadores para 25 DTs, usamos o portátil, o tablet ou o telemóvel para entrar no email do serviço e responder a colegas, a pais e EE, etc. Se não fosse assim, o trabalho estava sempre por fazer.
A Confap não têm noção do que se faz nas escolas.
E nos espaços dos professores, como a sala dos professores, sendo que todos são adultos usam o telemóvel para o que necessitam. Uns têm pessoas a seu cargo (muitos têm pais com alzheimer), outros têm doenças e consultas a marcar, etc., coisas a combinar.
É ridículo. Nós não somos iguais, temos idades diferentes, papéis diferentes, direitos e deveres diferentes. Imagine: lá em casa o filho está proibido de mexer nas garrafas de vinho, logo os pais também estão para ser tudo igual e coerente?
Senhora da Confap, va ao dicionário, a palavra coerente não tem este significado. Está a confundir igualdade com coerência.
Por exemplo, na minha escola é proibido usar o telemóvel nas aulas mas não é proibido levá-lo. Portanto, somos nós que temos de fazer cumprir a regra. Eu mando os alunos guardarem-nos na mochila (alguns têm 2) no silêncio. O meu está dentro da minha mala, em silêncio.
Aviso os alunos que só podem mexer no telemóvel se houver uma razão pedagógica e sou eu que a decido. Por exemplo, se estou a dar a lógica onde fazemos centenas de exercícios, para não levar resmas de papel e porque eles fazem os exercícios a ritmos diferentes e o projector tem a imagem fixa, deixo a delegada de turma tirar fotografia da folha, enviar para os colegas para o grupo WhatsApp da turma e deixo-os usar o telemóvel para fazerem os exercícios, cada um ao seu ritmo. Só faço isto quando a turma já interiorizou a proibição de mexer no telemóvel e mesmo assim, vou ver o que estão a fazer.
Mas não somo iguais ali, quem é responsável pela aula e pelos alunos, pela sua segurança e aprendizagem sou eu e isso dá-me direitos que eles não têm. Não faria sentido dizer aos alunos, 'olha se a professora pode decidir quais as tarefas em que os alunos podem usar os telemóveis, então os alunos também podem decidir quando usar o telemóvel para serem todos iguais'... é impossível que alguém não compreenda que isto é estúpido. Não somos iguais, não estamos no mesmo plano.
Isto faz-me lembrar há muitos anos, quando os DT faziam matrículas e nesse dia, vinham os pais e EE todos fazer a matrícula daquela turma e, tendo alguns alunos 17 ou mais anos, uns vinham sozinhos. Eu mandava sempre os pais passarem à frente dos alunos (excepto dos que tinham empregos em part-time) e os alunos queixavam-se com esse argumento de serem todos iguais. E tinha que explicar que os pais são adultos, interromperam o trabalho, muitos têm outros filhos, têm que ir buscá-los à escola ou levá-los ao médico ou ir às finanças ou fazer o almoço, etc. Têm mil coisas para fazer. Os miúdos estavam de férias e sem nada que fazer. Não estão no mesmo plano.
Uma pessoa não está à espera de ter que explicar estas coisas aos adultos da Confap...
Nas escolas nem sempre as pessoas percebem que os seus deveres e o objectivo do seu trabalho é diferente do dos outros.
O objectivo dos professores e da escola, é a educação escolar dos alunos e, por isso, têm deveres e direitos apropriados a esse fim, que devem ser prioritários.
Dado que a educação escolar dos alunos é realizada pelos professores, apoiar os professores nessa tarefa, é o objectivo de todos os outros funcionários/cargos, cada um com seus deveres.
A direcção promovendo um clima de trabalho de respeito e de exigência de profissionalismo dando apoio aos professores para que possam ser o melhor possíveis no trabalho com os alunos. Têm outras tarefas, mas se não são capazes de cumprir esta, tudo o resto vale zero. Assim como outros cargos de DT, de Coordenação de Departamento, etc., se não têm os alunos e o apoio aos professores como primazia, tudo o que fazem vale zero. É só produção de papéis e de dados em plataformas que não se referem a nada de real.
Os serviços administrativos nem sempre percebem que o seu principal serviço é o de apoio aos professores no seu trabalho com os alunos. Claro que têm muitas outras tarefas, uma delas o serviço aos próprios alunos. Acontece irmos aos serviços e estarmos na fila, num intervalo das aulas, com pouco tempo para resolver um assunto de um aluno, por exemplo e, sobretudo aos colegas mais novos que não dizem nada, obrigarem a adiar assuntos urgentes, porque ninguém tem uma lista de prioridades e não percebem o objectivo do seu trabalho na escola e que dentro da escola, temos papéis diferentes e que deve haver prioridades no atendimento.
E não percebem porque têm ideias como a Confap em que é tudo igual. E, sem má intenção, são um obstáculo em vez de um serviço.
Confundem sermos iguais perante a lei enquanto cidadãos, a estarmos no mesmo plano em termos de papel social, em questões de trabalho, direitos e deveres. Em vez de fazerem o seu trabalho como deve ser só pensam em ter mais poder ou menos poder.
Vejamos, tenho os mesmo direitos civis que o juiz no tribunal, somos iguais nesse aspecto e se estivermos na pastelaria ele não tem prioridade sobre mim; mas não temos o mesmo papel e estatuto social no seu local de trabalho, onde ele está acima de mim e tem precedência e isso não é uma ofensa à minha pessoa. Naquele local de trabalho, tudo o que se faz é para apoiar o trabalho do juiz e por isso ele tem precedência sobre a os outros.
Vou ao médico e, embora tenhamos os mesmos direitos de cidadãos e, lá está, se estamos ambos na pastelaria ele não tem precedência, mas naquele local de trabalho dele, ele tem direitos que eu não tenho e se eu estiver ao balcão a marcar uma consulta e ele aparecer e dirigir-se à funcionária, ela interrompe a minha marcação e atende-o primeiro porque a prioridade dela é assistir o médico no cuidado aos doentes. Isso não me tira poder nem me tira igualdade civil. Tem que ver com os objectivos do trabalho e o papel que cada um desempenha.
Se estou na aula e alguém me vem chamar para qualquer coisa, a não ser que seja o director e que digam que é urgente, não vou, porque naquele momento estou ao serviço dos alunos no tempo que é deles e eles são a minha prioridade na escola.
Mas vá lá explicar isto às pessoas da Confap, aos pais e EE, às direcções das escolas, aos serviços administrativos que vêem tudo como poderes e não serviços e não entendem que a igualdade perante a lei nada que tem que ver com direitos e deveres apropriados às funções e à idade.
Isto é tudo tão... infantil, no modo de pensar as situações. Não contribuem nada para a solução de problemas. Estão sempre a ver como podem controlar professores ou criticar professores. Não percebem nada de como funcionam as escolas e do seu próprio trabalho. Daí a sua nulidade enquanto parceiros da educação. Uma lástima.
A agenda da Confap nunca foi pelos alunos, foi sempre contra os professores. É o seu objetivo, desde que a Lurdes Rodrigues ensinou os pais que o seu interesse é lutar contra os professores e controlá-los?
ReplyDeleteQuanto às direções das escolas, agora pareces ingénua. Como é que estão lá 15, 20 e 30 anos de seguida, senão usando o poder para por uns a fazer de Pides dos outros?
#Nena
Acho que as direcções têm os vícios comuns à maioria das pessoas quando estão num cargo de poder.
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