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September 18, 2026

O facto de nunca termos ouvido falar das coisas não quer dizer que não existam



Uma das primeiras descrições conhecidas do que hoje poderíamos interpretar como psicose pós-parto surge nas «Epidemias» de Hipócrates, uma colecção de histórias clínicas que remonta aos séculos V e IV a.C.

Hipócrates descreve o caso de uma mulher de Cízico que tinha dado à luz duas filhas gémeas após um parto difícil. Seis dias após o parto, desenvolveu uma insónia grave e um comportamento cada vez mais perturbado. A sua fala tornou-se incoerente e o seu estado mental deteriorou-se progressivamente, levando ao delírio. A doença agravou-se posteriormente, acompanhada de convulsões e perda de consciência e faleceu dezassete dias após o parto.

Este relato lembra de forma impressionante um distúrbio psiquiátrico pós-parto grave. O conceito de psicose, bem como a distinção moderna entre distúrbios psiquiátricos e neurológicos, não existia na medicina grega antiga. No entanto, os médicos hipocráticos compreendiam tais estados através de categorias como a «frenite», um termo associado a perturbações mentais agudas e delírio, frequentemente entendido como uma manifestação de doença física.

O caso constitui, no entanto, um testemunho precoce notável da observação de perturbações mentais graves que ocorrem após o parto. Também nos lembra que as experiências que hoje classificamos através de categorias psiquiátricas modernas têm histórias muito mais longas do que os seus nomes diagnósticos.

Women from History
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Há umas dezenas de anos, em alguns países/hospitais era costume as mulheres ficarem internadas durante uma semana após o parto, mesmo que tivesse corrido bem, para garantir a sua saúde e a do bebé. Em outros, era costume, durante o primeiro mês, uma enfermeira ir a casa das mulheres, ajudar a mãe a tratar do bebé. Conheço pessoas que tendo meios para isso, contratam uma enfermeira para os dois primeiros meses irem lá a casa tratar do bebé e acompanharem a mãe, darem conselhos de saúde física e mental.

Ver-se sozinha com um filho sem saber o que fazer e como cuidar do bebé é muito assustador e, tendo em conta que uma enorme quantidade de mulheres no mundo tem filhos na adolescência ou ainda muito jovens e que no mundo actual as famílias, numa grande parte do mundo, vivem atomizadas e as mulheres estão sozinhas quando lhes nasce um filho, não é de admirar que se sintam assoberbadas e desorientadas e que isso leve a depressões e outros problemas graves. 

Em muitos sítios do mundo espera-se que as raparigas, seja qual for a idade, tenham os filhos, sejam especialistas a tratar deles e ainda apareçam bem dispostas, com a casa impecável, não falhem no trabalho e ainda cuidem dos homens, que na esmagadora maioria dos casos, em todo o mundo, deixam esse trabalho todo sozinho à responsabilidade das mães e são meros observadores. É uma loucura e não admira que uma data de mulheres caiam em problemas mentais e que tantos bebés sejam vítimas de 'des-tratos' - não, maus-tratos intencionais mas 'des-tratos', vítimas da ignorância e da falta de competência das mães sobre como tratar recém-nascidos e ainda vítimas das depressões e desorientações das mães nessas situações.

As sociedades em geral não apoiam as mães. Depois lemos histórias acerca de uma mãe que teve um episódio e abanou o bebé ou que saiu de casa sem o bebé e andou desorientada durante horas.

Penso que devia haver nas escolas uma disciplina de saúde sexual. Não, educação sexual, porque isso implica orientação sobre a vida sexual e juízos de valor sobre ideologias de género, o que não cabe às escolas fazer, mas sim, saúde sexual. 

Uma disciplina sobre factos relativos à saúde sexual: informação sobre riscos de vida sexual precoce, de comportamentos de risco, de doenças sexualmente transmissíveis e os seus efeitos, informação sobre como evitar a gravidez, do ponto de vista das raparigas e dos rapazes, riscos de uma gravidez precoce, riscos para a vida de recém-nascidos de pais adolescentes e impreparados, riscos de saúde mental para as mães adolescentes e muito jovens, riscos de tomar a pornografia como comportamentos sexuais normais, etc.

Estes temas não teriam de ser tratados todos ao mesmo tempo em todos os anos de escolaridade. Haveria um currículo com a distribuição dos temas adequados ao ano de escolaridade considerado apropriado.  É preciso ter em conta que os adolescentes, desde os 10, 12 anos, estão a ser 'des-educados' acerca destes temas pela internet, pelas redes sociais e pelos predadores que lá andam. 

Em vez da disciplina de cidadania em que professores ao calhas trabalham temas ao calhas, muitas vezes os mesmos, ano após ano, longe das suas formações de especialidade e ao nível da mera opinião subjectiva, haveria uma disciplina de saúde sexual com conteúdos objectivos e informativos. 

Para leccionar uma disciplina destas seria preciso contratar pessoas com formação em saúde ou, em alternativa, dar uma formação sólida, uma pós-graduação séria com avaliação prévia sobre a adequação do professor candidato, em termos de formação e perfil a este tipo de disciplina, a professores que a quisessem leccionar.

Problemas sérios têm que ser tratados de modo sério.