Showing posts with label artes. Show all posts
Showing posts with label artes. Show all posts

March 11, 2026

🎯 Acerca das artes, ditas, elitistas



Concordo com este artigo. Vivemos um tempo em que as pessoas já só ouvem a música que o Spotify deixa e a música encolheu-se para 'caber' no formato do Spotify. As pessoas que conheço que gostam de música clássica começaram a ouvi-la desde miúdos, em casa. Certos filmes e até na publicidade, tornam extremamente populares, peças de música clássica e/ou ópera, o que mostra que existe, como sempre existiu, a sensibilidade a outros estilos de música para além do que passa nos canais digitais.
A falta de procura pela música clássica e pela ópera deve-se ao abandono dessas artes pelos canais audiovisuais. Quando era miúda e os canais de rádio e TV não eram de uma mediocridade intolerável, as artes, agora consideradas eruditas, eram comuns na TV: o teatro, os concertos, a ópera, o ballet. Desde miúdos, mesmo que em casa não houvesse o hábito de ir a esses espectáculos, havia a construção de uma sensibilidade estética pela familiaridade com essas artes. Em minha casa ouvia-se música clássica mas não ópera. A primeira vez que vi uma ópera devia ter uns 5 ou 6 anos e foi na TV. A RTP passou uma Traviata. Causou-me um grande impacto e lembro-se de estar a vê-la e a fazer perguntas à minha mãe. Aprecio muito o Coliseu dos Recreios por levar à cena esses espectáculos a preços acessíveis à grande maioria das pessoas e, desse modo, torná-los familiares e populares. 
Porém, o caso de salas como o Coliseu dos Recreios ( veja-se como o nome indica o seu fito de popularidade) são ilhas no meio dos oceanos de mediocridade que parecem ser agora o ideal das sociedades. Timothée Chalamet, um actor novo mas já com reputação, encarna perfeitamente este novo desiderato de mediocridade cultural.


A ópera transcende o tempo, Timothée Chalamet reflete um equívoco da sociedade

Timothée Chalamet considera que a ópera necessita de cuidados intensivos, refletindo a ideia que a música erudita ocidental é aborrecida e complexa. Não será isto resultado de falta de familiaridade?
Gustavo Silva

(Estudante de Ciências Musicais na NOVA FCSH. Aprendiz de piano, flauta transversal e direção de orquestra. Fã de música, arte e filosofia.)

O projeto Opera Europa comprovou que, em 2022, a indústria operática europeia contou com 200 mil profissionais, 20 mil performances e 13 milhões de espectadores. Além disso, a resposta forte nas redes sociais (à cabeça Metropolitan Opera) mostra a imprecisão do comentário. De qualquer forma, a música erudita ocidental é, por vezes, associada à elite e a um público restrito, importando questionar porque é que a ideia de que é aborrecida está intrínseca na sociedade – será que alguma vez ouviram sinfonias de Mahler ou Bruckner?

Antes de mais, mesmo tendo em conta os elevados custos financeiros de produção e consequentemente de assistência, considero que as barreiras à denominada alta cultura são maioritariamente sociais e simbólicas (na esteira de Bourdieu). Tal como N. Heinlich afirma, as barreiras derivam principalmente de falta de familiaridade. Aliás, as plataformas de streaming permitem-nos assistir onde e quando quisermos - curiosamente, a juntar a isto, a Ópera de Seattle aproveitou esta polémica para promover um desconto de 14% nos seus espetáculos.

No século XXI, marcado pela comercialização da música, peças que não foram pensadas para consumo rápido tendem a ter mais dificuldade em afirmar-se. Como estas práticas artísticas podem ser extremamente longas, o ouvinte habituado a músicas de cinco minutos dificilmente lhes dedicará atenção prolongada (só como fundo sonoro). Além disso, em oposição a outras artes, acredita-se que, para assistir ópera, são necessários conhecimentos teóricos (língua diferente; música virtuosa e enredos longos). Não obstante, isto é um preconceito cultural herdado: a música é ouvida e sentida. O capital cultural pode aprimorar a experiência, mas não é pré-requisito.

publico(excerto)

March 13, 2024

Divulgando um podcast sobre as artes (mais para fanáticos de ópera)

 

The Critic is launching a new arts podcastCritical Mash. It is hosted by our opera correspondent, and President of the Critics' Circle, Robert Thicknesse. He will be joined by co-hosts Lucy Lethbridge, the author of the social histories Servants and Tourists, formerly literary editor of The Tablet, and a critic of TV and art, and by Yehuda Shapiro, who writes principally for Opera magazine and contributes reviews and features to The Stage.

Their guests for our inaugural episode are composer Elena Langer and theatre director Joe Hill-Gibbins, both of whom have helped bring problematic operatic bad boys to the stage — in the form of Langer's Figaro Gets a Divorce and Hill-Gibbins' new staging of Duke Bluebeard's Castle for ENO.

Critical Mash will be our regular, and of course, critical examination of the arts. Prepare to be amused, annoyed, entertained and informed, as a dazzling choir of dissident luminaries bless the digital airwaves. Trigger Warning! This episode contains misogynoir, eye-gouging, heteronormativity and Bert Thicknesse.