September 03, 2026

Uma mulher matou os 3 filhos

 

O advogado de defesa alegou que o crime se deveu a uma depressão pós-parto. Não compro esse argumento. A depressão pós-parto é relativamente comum, é uma experiência terrível que junta a apatia própria da depressão com a culpa mas não há memória de mulheres matarem filhos por essa razão. Agora, dito isto, parece-me que há razão para a medicina psiquiátrica ser interrogada e interrogar-se a si mesma. 


Os psiquiatras vulgarmente abusam de medicação que sabem ser perigosa para o cérebro e fazem-no em acumulação e por tentativa e erro, sem nenhuma evidência de benefício.

Conheço pessoas que andaram de psiquiatra em psiquiatra para curar depressões, cada um com a sua narrativa e um cocktail diferente de drogas e algumas dessas drogas puseram as pessoas com crises psicóticas, outras numa espécie de estado pré-catatónico. Uma pessoa que conheço andou tão perturbada durante uma dúzia de anos que deixou de conseguir funcionar normalmente e cumprir rotinas básicas do dia-a-dia, até que encontrou um médico psiquiatra que o desmamou daquelas porcarias todas, deu-lhe apenas uma medicação e com isso e umas sessões de terapia, pôs a pessoa de volta no estado normal.

A questão é a dificuldade em encontrar essa agulha no palheiro que é um médico que sabe o que está a fazer, que tem consciência da agressividade dos medicamentos psiquiátricos -sabe que alteram os seres humanos- e usa-os com muito cuidado e eficiência. A maioria dos médicos psiquiatras atira medicamentos para cima das pessoas, muitas vezes com consequências piores que as doenças deles, vêem isso acontecer e depois não sabem como corrigir e ainda dão mais medicamentos. Já é difícil acertar com os químicos certos para aquele cérebro em particular, porque a psiquiatria não têm estudos com evidências como outras áreas da medicina, por razões óbvias e sabe-se ainda muito pouco sobre o assunto. No entanto, drogam as pessoas como se tivessem certezas absolutas e tudo fosse reversível e a vida dos outros fosse irrelevante.

Esta mulher que matou os filhos, pelo que dizem e foi dito em tribunal, tinha uma depressão grave, tinha pensamentos intrusivos violentos, ideias suicidas, períodos em que não conseguia funcionar normalmente ao nível mais básico, pediu ajuda a muita gente, nomeadamente a médicos psiquiatras, porque sentia que estava a fundar-se e a única coisa que fizeram foi drogá-la com novos medicamentos em cima dos antigos.

Portanto, não concordando com a ideia de que uma depressão pós-parto seja motivo explicativo para o crime, parece-me que a psiquiatria precisa de fazer um exame de consciência quanto às suas práticas e à impunidade com que desconstroem e estilhaçam as pessoas como quem atira uma pedra a um espelho, sem pensar duas vezes e sem assumir responsabilidade pelas consequências.

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