De cada vez que se senta no Conselho de Ministros olha em volta, para cada um dos presentes e diz para si mesmo, 'Sei o que fizeste no Verão passado' - tu, a tua mulher, o eu filho, a tua amante o cão e o gato.
Este formidável e competente polícia, chefe de todas as polícias, cofre de todos os segredos, sabe tudo sobre toda a gente, rivais, colegas, inimigos e adversários. E quando não sabe, pode mandar investigar. E quando se investiga, deus sabe o que se encontra. Este útil e formidável ministro, diligente e ataviado, conhece mistérios e sigilos, dinheiro, património, impostos, sexo, crime, droga, obras, autorizações, cunhas, negócios, religião, amigos, devaneios e colecções. Sempre me disseram: mais do que os ignorantes, receia os que sabem tudo!
António Barreto, Coeso e empoderado, Público
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