July 07, 2026

"O exame, realizado em casa com um código de honra" LOL




Estas universidades também precisam de contratar pensadores de Filosofia que lhes expliquem noções básicas de natureza humana.



Professor da Universidade Brown horrorizado ao descobrir o maior escândalo de fraude com IA da história da Ivy League

"As provas empíricas da fraude são esmagadoras."

Por Victor Tangermann

O economista premiado e professor da Universidade Brown, Roberto Serrano, afirma ter detectado o que parece ser o maior escândalo de fraude com recurso à inteligência artificial na história da Ivy League.

Como noticia o jornal espanhol El País, Serrano começou a suspeitar assim que analisou os resultados de um exame intermédio realizado em Março numa das disciplinas que lecciona, uma cadeira avançada de Economia Matemática destinada a estudantes de licenciatura.

O exame, realizado em casa e sem consulta — um teste baseado no chamado «Código de Honra», característico das universidades da Ivy League — teve um resultado surpreendente: 40 dos 86 estudantes obtiveram a pontuação máxima de 100 valores. A média da turma foi igualmente suspeita: 96 em 100.

Por outras palavras, não é exagerado supor que muitos estudantes cederam à tentação de recorrer a um chatbot de IA para obter respostas, sobretudo estando em casa, sem um assistente de ensino a supervisioná-los. Segundo os testes efectuados por Serrano, foi exactamente isso que aconteceu.

«Algumas respostas continham passagens invulgares que coincidiam com os resultados obtidos depois de submeter as perguntas ao ChatGPT», afirmou Serrano ao El País.

Talvez ainda mais revelador tenha sido o exame final presencial, que representava metade da classificação final da disciplina. A média foi de apenas 48 valores em 100. Dos 27 estudantes que nem sequer compareceram para realizar essa prova, 22 tinham obtido 100 valores no exame intermédio, reforçando substancialmente a teoria de Serrano.

«As provas empíricas da fraude são esmagadoras», declarou ao jornal.

O incidente evidencia até que ponto a utilização da inteligência artificial se tornou omnipresente nas salas de aula. Até estudantes de universidades altamente prestigiadas da Ivy League estão a recorrer a estas ferramentas para obter classificações elevadas com pouco esforço, mesmo quando isso viola diretamente o Código de Honra que todos se comprometeram a respeitar.

A agravar esta situação, os níveis de literacia e numeracia sofreram uma quebra significativa nos últimos anos. Professores universitários alertam que se está a atingir um ponto crítico, com muitos estudantes que ingressam no ensino superior a demonstrarem apenas um nível de conhecimentos em matemática e noutras disciplinas equivalente ao do ensino básico.

Alguns docentes lamentam ter-se transformado rapidamente em «polícias do plágio», cuja principal função passou a ser detectar fraudes facilitadas pela IA, em vez de ensinarem efetivamente os seus alunos. Trata-se de um jogo constante de «gato e rato», cada vez mais difícil devido ao rápido aperfeiçoamento da tecnologia, que torna as fraudes mais difíceis de identificar.

Ao mesmo tempo, especialistas alertam que a utilização destas ferramentas está a destruir a capacidade de pensamento crítico dos estudantes, tornando-os perigosamente dependentes da tecnologia.

Não surpreende, por isso, que Serrano tenha decidido deixar de realizar exames feitos em casa.

Uma situação semelhante está a ocorrer noutras universidades da Ivy League. Como noticiou a revista The Atlantic no mês passado, a Universidade de Princeton abandonou recentemente uma tradição do seu Código de Honra com 133 anos, segundo a qual os professores saíam da sala enquanto os estudantes realizavam os exames finais, depois de assinarem um compromisso de que não fariam batota.

Face ao aumento dramático da utilização da IA e da desonestidade académica nas salas de aula, Princeton acabou por pôr termo a essa tradição.

«Há uma percepção generalizada de que as pessoas fazem batota nos exames realizados em casa e simplesmente usam o ChatGPT», afirmou Nadia Makuc, estudante finalista de Princeton e antiga presidente da Comissão de Honra, à The Atlantic. Quando as pessoas acreditam que existe mais fraude, isso acaba por incentivar ainda mais fraude.

Para além da perda de integridade académica, a fraude com recurso à IA está a corroer a confiança entre estudantes e professores, ao mesmo tempo que os docentes manifestam preocupação com a desvalorização crescente de um diploma universitário.

«Se deixarmos de defender a verdade, a decência e a honestidade, que tipo de credibilidade teremos como académicos?», questionou Serrano.

 em declarações ao El País.

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