Que outra razão pode haver para tentar destruir Kaja Kallas, uma política que compreende muito bem a ameaça russa e tem sido exemplar a fortalecer a posição da UE como una e consensual face à Russia? Agora que Orban desapareceu, a Rússia pôs em campo outros operativos que trabalham na sombra para destruir a unidade da UE, nomeadamente no que respeita à Rússia. Descobrir quem são esse operativos a mando de Putin, isso é que era de valor, porque não nos podemos dar ao luxo de deixar que a Rússia e outros apostadores na destruição da UE levem a sua avante. Já ninguém se lembra das consequências da irrelevância de Josep Borrell ou é isso que os russófilos querem, um representante da UE tipo bebilot?
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Euractiv | Rapporteur
Um aliado de primeira linha de Kaja Kallas quebrou o silêncio para defender a chefe da diplomacia europeia, alvo de uma crescente vaga de ataques políticos, incluindo por parte de alguns comissários europeus.
Bruxelas fervilha de rumores alimentados por informações parciais que apontam para a possível extinção do Serviço Europeu para a Ação Externa (SEAE), levando Kallas a tranquilizar a rede diplomática da União espalhada pelo mundo.
«Aqueles que procuram orquestrar este tipo de críticas agem contra o interesse comum da Europa», considera Marko Mihkelson, presidente da Comissão dos Negócios Estrangeiros do Parlamento estónio.
Representar a política externa da União não é tarefa fácil. O Alto Representante desempenha uma função híbrida, situada entre a Comissão Europeia e os ministros nacionais dos Negócios Estrangeiros, dispondo, ao mesmo tempo, de poderes formais limitados.
«É quase uma missão impossível ter uma posição muito clara e, simultaneamente, representar a de todos os outros», declarou Mihkelson ao Rapporteur. O antigo jornalista, hoje com 56 anos, conhece Kaja Kallas há mais de uma década. Foi ela quem o levou a integrar o Partido da Reforma, a formação centrista estónia.
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Questionado sobre o significado de ataques provenientes das próprias instituições europeias, Mihkelson não esconde a sua preocupação: «Se for esse o caso — e alguns indícios sugerem que rivalidades internas alimentam estas críticas crescentes —, é extremamente triste ouvi-lo.»
Segundo ele, as instituições europeias deveriam concentrar os seus esforços na ameaça russa.
Mas será Kaja Kallas demasiado dura em relação a Rússia, como lhe apontam muitos dos seus críticos? A chefe da diplomacia europeia procurou por várias vezes alargar o debate para além do que alguns Estados-membros consideram aceitável, chegando a propor limitações das capacidades militares russas no âmbito de um futuro acordo de paz — condições que o Kremlin dificilmente aceitaria.
«Não», responde Mihkelson sem hesitar. Na sua opinião, a Europa tem a sorte de dispor de uma dirigente plenamente consciente da ameaça existencial proveniente de Leste.
Assinala, aliás, que Kirill Dmitriev, um dos negociadores de Vladimir Putin, manifestou publicamente satisfação perante as especulações sobre o eventual desaparecimento do SEAE.
«A história do SEAE é ainda relativamente recente», sublinha. «Não devemos ser demasiado severos com ele: esperamos que seja apenas o início de um longo caminho.»
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