June 04, 2026

Deixem aos sadinos algumas praias

 


Os donos da Herdade da Comenda reclamam para si, em exclusividade, todas estas praias aqui assinaladas. Os setubalenses já perderam as praias da Tróia com aquele truque das lojas de luxo que consiste em pôr os preços tão caros que afastam os indesejáveis: um bilhete de ida e volta para Tróia custa 10€ por cabeça. Quantas famílias podem pagar, por dia, digamos que durante 15 dias de férias, numa família com 2 filhos, 40€, só pelo transporte, fora o resto que se paga num dia de praia com almoço e serviços? De maneira que afastaram o povo da Tróia com este esquema. 






Agora um proprietário -a Herdade da Comenda que aqui se vê- quer tirar-lhes mais 5 praias. 

Uma delas está no Parque das Merendas, um local público de lazer onde as pessoas vão merendar e apanhar o fresco da sombra das árvores, enquanto os miúdos brincam na água, desde sempre. É um local para famílias.

Este local ladeia uma língua de mar que entra pela terra adentro quando a maré sobe, como se pode ver acima no mapa das praias.

Não sou contra haver algumas praias privadas em situações de excepção. Há locais florestais que têm casas quase à borda de água com uma prainha minúscula onde só se chega pela própria casa, ou por mar. Não me choca que nessa situação em que ir para essa praia equivale a invadir o quintal da casa, a praia possa ser privada - não sei se em Portugal existe alguma casa nessa situação. Não é o caso desta. O caso desta equivale a alguém comprar uma casa na cidade e ter direito ao passeio em frente da sua casa e depois proibir os transeuntes de pisar o passeio, obrigando-os a ir pela rua. Imagine-se todas as casas da rua reclamarem o passeio em frente de suas casas. Seria uma rua interditada a peões. É absurdo.

Outra coisa diferente é a questão dos chapéus de sol. É certo que as zonas com espreguiçadeiras não podem ocupar a maioria do espaço de uma praia, mas não vejo razão para as pessoas com chapéus de sol, podendo ir para uma zona própria, irem pôr-se em cima dessas que pagaram para ter um espaço mais sossegado. Pessoalmente, mesmo podendo legalmente fazê-lo, não o faria.

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