June 09, 2026

Consequências lógicas do subjectivismo valorativo incentivado pelos adultos que não pensam



O bastonário dos veterinários assinou um comunicado em que proíbe que qualquer médico de animais possa tratar pessoas que acreditam ser gatos, cavalos, cães, raposas ou cágados.

Pedro Fabrica, doutorando em Comunicação Clínica, conquistou a Ordem com o maior número de votos de sempre e gosta de se antecipar às tendências. Em Portugal, as modas chegam tarde, mas acabam por nos bater ao portão. É possível que os therians estejam aí a rebentar. Já há vídeos malucos, miúdos em escolas que miam e ladram, e psicólogos que começaram, timidamente, a ler acerca do assunto para que as respostas sejam fluídas e façam sentido.

Ainda ninguém marcou consulta no veterinário, ao contrário do que sucedeu em Londres, Paris, Estocolmo ou Oslo. Nessas capitais do primeiro mundo já se fazem corridas entre jovens que utilizam os pés e as mãos como se fossem patas – provas de velocidade e de salto ou até de resistência. Há também os que comem ração, usam desparasitante ou têm orgasmos antecipando o dia em que perderão a virgindade com alguém da “sua” espécie.

(...)A insegurança perante o futuro, a necessidade absoluta de ser notado e aceite, o medo que tal não aconteça. Eis uma tempestade perfeita.

Luís Osório, https://www.dn.pt/opiniao
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Não me parece que estes comportamentos tenham que ver com insegurança ou ser notado, como diz este articulista. Penso que é a consequência lógica, óbvia e nada surpreendente, do subjectivismo valorativo incentivado pelos adultos. Semeias os ventos, colhes as tempestades.
Quando os adultos, as políticas, os optimates da sociedade e a educação pública defendem que a biologia é uma narrativa fascista e que cada um é o que diz ser, baseado no seu sentimento ou desejo, as consequências são estas.
Se ensinas na escola que um rapaz pode ser uma rapariga e que as mulheres são um conceito fascista que não existe a não ser no sentimento, se os políticos mandam que se desconsidere o conhecimento científico se este ofender os desejos subjectivos de cada um, depois tens como consequência que um se sinta cão e outro leão- literalmente- e exijam ser tratados como tal. É o que andam a dizer aos miúdos há anos e anos e eles aprenderam a lição.
Amanhã pode acontecer que uma pessoa como eu, portuguesa caucasiana, diga que sente ser uma africana negra vítima de racismo, exija ser tratada como vítima e exija ter acesso aos direitos dessas minorias. É absurdo? Pois, mas ninguém o poderá negar, dado que a realidade é agora a imposição universal do que cada um sente e deseja. Até mesmo quando as exigências são óbvias parafílias ou fetiches.
O bastonário dos veterinários proíbe que qualquer médico de animais possa tratar pessoas que acreditam ser animais. É pena que o bastonário dos médicos dos humanos não proíba os médicos de tratar homens biológicos que acreditam estar grávidos ou menstruados ou que exijam instruções de amamentação, pois é exactamente a mesma situação. 

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