É provável que obtenha grande parte da sua informação da Internet. Isso é óptimo, porque pode estar consciente do que está a consumir e escolher se quere ou não aprofundar um tema.
Mas o facto de estar a escolher quais os modelos a adoptar e em que acreditar por si próprio — significa que você, eu, todos nós — quer queiramos quer não, somos todos intelectuais agora. E, como intelectuais, nunca estamos longe de nos tornarmos idiotas.
Toda esta coisa dos «novos meios de comunicação», como o Substack, tem uma espécie de paradoxo. Por um lado, é óptima para expor a desconexão entre a elite intelectual e a realidade concreta, no terreno, de milhões de pessoas. Idiotas como Malcolm Caldwell podem agora ser identificados a quilómetros de distância no X, antes mesmo de terem a oportunidade de serem alvejados por um ditador comunista.
Mas há algo mais subtil a acontecer também, e isso preocupa-me.
Online, os modelos [de interpretação] do mundo que vão mais longe não são os mais precisos, mas sim os que mais chamam a atenção. São os modelos que apelam mais fortemente aos nossos instintos básicos, preconceitos e necessidades emocionais. E, em geral, estes modelos do mundo altamente «memeáveis» são, na melhor das hipóteses, imprecisos e, na pior, activamente destrutivos.
E como passamos mais tempo nos nossos dispositivos, afastados do mundo real, é menos provável que soframos as consequências que a realidade impõe aos modelos imprecisos.
Não podemos esquecer: os nossos modelos do mundo são apenas isso, modelos. Baseiam-se em dados incompletos e pressupostos. Estão sujeitos a actualizações e mudanças que não podem ser antecipadas. E quando confrontados com essas atualizações e mudanças, resistiremos instintivamente e lutaremos contra elas, porque protegeremos os nossos modelos como se fossem parte de nós mesmos.
A liberdade de informação que a Internet traz ajuda-nos a expor intelectuais idiotas de forma mais rápida e precisa do que nunca. Mas a Internet também permite que intelectuais idiotas convertam pessoas em seguidores idiotas mais rapidamente e com mais facilidade do que nunca.
O resultado… é a vida em 2026.
Envolva-se com a realidade tanto quanto possível. Isso significa menos tempo neste site e mais tempo no mundo. Menos tempo a observar rostos humanos num ecrã e mais tempo a ver rostos humanos pessoalmente.
Quanto mais tempo passar com pessoas reais no mundo, menos dependerá emocionalmente de modelos intelectuais abstratos para infundir na sua vida um sentido de conexão e propósito.
Encare todas as suas opiniões com leveza. Orgulhe-se de ser capaz de mudar de opinião. Procure activamente por evidências da sua própria ignorância e falhas.
Porque, se não as encontrar por si mesmo, a realidade acabará por encontrá-las por si. E posso garantir que não vai gostar da forma como a realidade o faz.
Mark Manson
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