Ontem estive a ver o últimos episódio desta série, Chernobyl, para recordar o que foi dito no julgamento dos responsáveis sobre o desastre. Já não me lembrava desta conversa entre Boris Shcherbina, o vice-primeiro-ministro e burocrata soviético de alto nível, rigoroso executor das políticas do partido, encarregado de gerir o desastre de 1986 e Valery Legasov, cientista vice-diretor do Instituto Kurchatov, a quem chamam para investigar o desastre do ponto de vista científico e perceber exactamente o que se passou.
Esta cena passa-se num intervalo do julgamento. Ambos estes homens estão perto de morrer em consequência de terem andado na Central Nuclear, logo após o desastre, um a investigar e evitar novas explosões nucleares, o outro a gerir todas as acções. Valery estás prestes a dizer no julgamento que apesar do chefe da Central ser de uma incompetência grosseira (mais um promovido por ser amigo de alguém do partido) e apesar das suas acções terem posto a Central numa situação de ser impossível evitar o desastre, o que fez explodir o núcleo foram os materiais usados em vários dispositivos da Central não serem adequados para reactores nucleares e terem sido escolhidos pelo Estado para poupar dinheiro e que as autoridades sabiam muito bem o perigo e mentiram.
Nesta conversa, Shcherbina diz a Valery que acreditou na autoridade soviética quando lhe disseram para ir gerir o desastre que não era muito grave, porque o tinham escolhido a ele. Quer dizer, ele pensou que se fosse grave não o tinham escolhido a ele, ou seja, pensou que valorizavam a sua pessoa. Penso que é a frase mais significativa de toda a série porque resume a Rússia desde que Lenine entrou naquele país: zero respeito pela vida humana. Todos são sacrificáveis para os canibais se manterem no poder.
Considere-se como estaria o mundo se a Rússia já tivesse perdido a guerra com a Ucrânia há um par de anos. O Irão estaria sem suporte (e vice-versa), Trump não teria hostilizado os aliados para fazer parcerias com a Rússia.
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