February 24, 2008

Setúbal

 



Daqui da janela do meu escritório vejo os telhados de Setúbal espraiarem-se até ao rio; vejo a barra, a ponta de Tróia, a serra da Arrábida e o castelo. Hoje, na claridade do fim de dia há uma tonalidade de prata por todo o lado – são camadas de tonalidades de cinzento que começam nas nuvens grossas e densas  e acabam no tom de prata do rio e do mar. Que belo!

Há uma harmonia calma no modo como a natureza se conjugou aqui tão felizmente.

Vejo daqui os ferrys e os pequenos barcos e veleiros que cruzam o rio; vejo os grandes navios no horizonte e os petroleiros e cargueiros que entram em direcção ao porto.

Ponho-me aqui a olhar, só pelo prazer de olhar,  para esta paisagem deslumbrante.

E, quando fico aqui sentada à secretária a trabalhar muitas horas de seguida  vou acompanhando o evoluir da natureza: a mudança da maré, os movimentos na água, a formação e deslocação das nuvens, a alteração das cores deste rio e desta serra e deste céu que desde há  séculos acompanham, por sua vez, o evoluir das gentes que por aqui passam.

Também vejo daqui o cemitério, com os altos ciprestes que se vergam com o vento; parecem gigantes mal equilibrados que se debruçam para conversar com os habitantes que guardam no seu domínio.

Pergunto a mim mesma, quando eu jazer no campo que lhes pertence, quem estará aqui sentada no meu lugar a olhá-los como os olhei… e o que pensará?

 

 

(publicado originalmente no Libertismo e no Sapo)


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